João Simão é tetra na WSOP e leva US$ 1,3 milhão ao vencer Evento #55
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Em 1994, o Brasil conquistou o seu quarto título da Copa do Mundo ao derrotar a Itália nos pênaltis, na final realizada no Rose Bowl, na Califórnia. Após 24 anos sem vitória na competição, o tetra lavou a alma dos brasileiros e gerou uma comemoração intensa por todo o país. Mais de três décadas depois, com o maior torneio do mundo mais uma vez em solo americano, os brasileiros voltaram a comemorar um tetracampeonato, só que desta vez a festa aconteceu a algumas horas de distância e trocou os gramados pelos feltros.
João Simão, que já possuía um dos currículos mais premiados do poker brasileiro, conquistou o seu bracelete de número 4 da World Series of Poker ao despachar o dono de cassino indiano Santhosh Suvarna no heads-up do Evento #55 (US$ 50.000 High-Roller Pot-Limit Omaha). Simão faturou o prêmio principal de US$ 1.368.700 por superar o field de 110 entradas enquanto, mais uma vez, uma barulhenta comemoração brasileira explodia dentro do salão do Paris Las Vegas. Para completar a festa verde e amarela, o torneio também teve Yuri Martins na mesa final, eliminado em sexto para US$ 244.150.
Classificação Final Evento #55 (US$ 50.000 High Roller Pot-Limit Omaha)
| Posição | Jogador | País | Prêmio |
|---|---|---|---|
| 1 | Joao Simao | Brasil | US$ 1.368.700 |
| 2 | Santhosh Suvarna | Índia | US$ 912.420 |
| 3 | Robert Cowen | Reino Unido | US$ 628.510 |
| 4 | Venkat Chivukula | Estados Unidos | US$ 445.440 |
| 5 | Carlo van Ravenswoud | Holanda | US$ 325.080 |
| 6 | Yuri Dzivielevski | Brasil | US$ 244.510 |
| 7 | Naoya Kihara | Japão | US$ 189.720 |
| 8 | Veselin Karakitukov | Bulgária | US$ 152.020 |
"É Tetra!" Para Simão
“Este aqui é muito especial, principalmente por ser no Dia dos Pais (nos EUA)", explicou Simão para a equipe PokerNews. "Quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo pela quarta vez, costumávamos gritar ‘tetra, tetra’. Isso significa o quarto título. Então, é algo grande e famoso no Brasil gritar ‘tetra’ toda vez que você conquista quatro vezes alguma coisa. Quarto título de qualquer coisa, quarta vez que você tem algo. É muito especial para o povo brasileiro. Então, isso significa muito para mim”, disse Simão."
O craque vem desfrutando de um ano fantástico nos feltros, estabelecendo-se não apenas como um dos principais profissionais brasileiros, mas como um dos melhores do mundo. Simão acumulou 15 premiações de seis dígitos apenas no último ano, somando quase US$ 10.000.000 em ganhos ao vivo. Sua vitória de hoje impulsionará o total de sua carreira para além da marca de US$ 20.000.000.
"Quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo pela quarta vez, costumávamos gritar ‘tetra, tetra’. Isso significa o quarto título... É muito especial para o povo brasileiro. Então, isso significa muito para mim."
Seu terceiro bracelete, em dezembro do ano passado na WSOP Paradise, veio no Evento Triton de US$ 150.000 No-Limit Hold’em para a melhor premiação de sua carreira, de US$ 3.067.000, em um torneio com o pódio inteiro brasileiro. Ele também venceu um evento de US$ 100.000 no Super High Roller Bowl no final daquele mesmo mês. Alguns dos maiores especialistas de PLO engataram neste evento, e Simão sente um grande orgulho de ser capaz de competir contra eles regularmente.
“É uma ótima maneira de aprender, de se desafiar e de ganhar dinheiro. Os ROIs, claro, são bem menores. O jogo é muito difícil, mas quando você lucra 10% em um torneio de US$ 100K, você ganha US$ 10K. Se você faz 50% em um de US$ 10K, são US$ 5.000. É o dobro de lucro. Então é isso que me move”, explicou.
Uma Vida de Experiência Preparou Simão Para o Desafio de Hoje
Simão entrou no dia final do evento na segunda colocação entre os oito jogadores restantes, atrás apenas do líder em fichas Robert Cowen. A busca de Naoya Kihara por um terceiro bracelete neste verão chegou ao fim na sétima colocação, enquanto o compatriota de Simão, Yuri Dzivielevski, foi eliminado em sexto lugar conforme os cinco finalistas avançavam para a mesa da transmissão principal.
Cowen e Simão ainda ocupavam as duas primeiras posições na tabela, com Cowen possuindo mais do que o dobro do stack do brasileiro. Suvarna, por sua vez, sentava-se no mesmo lugar em que havia começado o dia: na lanterna da contagem de fichas.
Simão acertou dois pares no river para eliminar o mago do PLO online holandês Carlo van Ravenswoud na quinta colocação. Suvarna acertou uma sequência no flop contra o par de reis de Cowen para dobrar suas fichas, antes de Cowen acertar o nut flush e apostar a maior parte de suas fichas no river. Simão pensou por mais de cinco minutos antes de dar fold, e Cowen retomou a liderança.
Suvarna flopou os dois maiores pares e melhorou para um full house para eliminar o colega empresário Venkat Chivukula em quinto lugar. O início do jogo 3-handed provou ser turbulento para Suvarna, que encontrou um par de ases para dobrar para cima de Simão, ficou curto em fichas novamente e depois dobrou sobre Simão mais uma vez. Ele finalmente triplicou seu stack ao acertar o nut flush no river.
Cowen disparou na liderança quando dobrou em cima de Simão com dois ases, mas nada mais deu certo para o campeão de 2022 a partir dali. Suvarna flopou uma trinca de oitos para dobrar contra o par de damas de Cowen, e Cowen cedeu a liderança em fichas após dar fold em um flush diante da aposta de Simão no river. Cowen de repente se viu como o short stack e, embora tenha conseguido uma dobra, acabou batendo de frente contra a sequência de Suvarna no flop e não conseguiu completar seu flush draw, caindo na terceira colocação.
Suvarna liderava com 20.800.000 contra os 12.200.000 de Simão no início do heads-up, com ambos buscando o seu quarto bracelete da WSOP. Simão assumiu a ponta quando dobrou com dois ases, e em seguida acertou um full house e extraiu valor em uma grande aposta no river para abrir uma vantagem considerável. Apenas algumas mãos depois, Suvarna pagou com suas últimas 9.300.000 fichas segurando dois dez, mas Simão novamente tinha ases e acertou a maior trinca no flop para garantir o bracelete.
O Empresário Brilha Novamente Entre os Melhores do Jogo
A batalha do heads-up foi um estudo de contrastes: o profissional experiente contra o empresário amador. Simão, no entanto, guardava apenas respeito por Suvarna e por sua paixão por aquilo que é essencialmente um hobby para ele.
“Eu adoro o Santhosh. Ele é super legal e um jogador muito bom. Ele não é um profissional, mas já tem três braceletes, então ele joga tão bem quanto os caras profissionais. O clima com ele é ótimo, sabe, então foi muito divertido. As torcidas brasileira e indiana juntas foram uma experiência fantástica, com certeza”, disse Simão.
A experiência e a postura de Simão foram o encaixe perfeito para que ele enfrentasse o desafio e prevalecesse. Sentar-se em uma mesa de cartas, mesmo cercado por alguns dos jogadores mais duros do mundo, é um refúgio bem-vindo comparado a algumas das provações pelas quais ele já passou.
“Quero dizer, eu joguei muitos torneios, e a maneira como minha família me criou foi muito dura. Essa é a parte mais fácil para mim. Tive muitos desafios na minha infância, então apenas jogar cartas é algo confortável para mim”, comentou.
Simão e Dzivielevski Buscam Impulsionar um Boom Brasileiro
Simão estendeu uma grande bandeira do Brasil sobre os ombros enquanto ia comemorar o seu triunfo com a torcida. Tem sido uma WSOP estelar até agora para o esquadrão brasileiro, com a vitória de Simão precedida pelo sexto título de Dzivielevski no início desta edição. Simão espera que o sucesso deles inspire mais jogadores do país a viajarem para Las Vegas ao longo das últimas semanas da série.
“É incrível. Não temos tantos jogadores como costumávamos ter. Acho que este ano vi menos brasileiros do que em todos os outros anos. Espero que eles venham para o Main Event. Inspirados por mim e pelo Yuri vencendo, as pessoas que ainda não vieram devem estar sentindo muito FOMO (medo de ficar de fora), sabe, então espero que tenhamos muitos brasileiros no Main”, declarou.
Simão encostou a uma distância de dois braceletes do recorde de Dzivielevski hoje, mas ele se diz satisfeito em ser o segundo atrás de seu compatriota e reconhece que a probabilidade de alcançar Dzivielevski é remota. “Acho que não. Ele joga todas as modalidades. Ele é muito bom, então seria quase impossível. Eu só quero pensar na minha jornada e aproveitá-la”, concluiu.




