Yuri Martins conquista hexa e US$ 2,8 milhões com vitória histórica na WSOP
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Yuri Dzivielevski já ganhou seis braceletes da World Series of Poker, mas nenhum deles o levou às lágrimas como este. Na madrugada deste sábado (3), o brasileiro mais vitorioso na história do poker adicionou mais um capítulo brilhante à sua trajetória, conquistando seu sexto bracelete e, ao mesmo tempo, o maior prêmio da carreira.
Momentos após derrotar Teun Mulder no heads-up do Evento #36 (US$ 100.000 High Roller), o paranaense se afastou da mesa e fez uma ligação para casa. Enquanto a numerosa torcida brasileira presente se aglomerava ao seu redor, Yuri lutava para conter o choro após garantir uma vitória histórica e o seu primeiro bracelete da WSOP no No-Limit Hold'em.
"Este foi muito emocionante", disse o craque. "Este é o jogo ao qual dedico toda a minha vida. Essa é a razão das lágrimas."
Classificação Final do US$ 100.000 High Roller
| Posição | Jogador | País | Prêmio |
|---|---|---|---|
| 1 | Yuri Dzivielevski | Brasil | US$ 2.841.432 |
| 2 | Teun Mulder | Holanda | US$ 1.894.282 |
| 3 | Alex Kulev | Bulgária | US$ 1.326.537 |
| 4 | Alexandros Theologis | Grécia | US$ 950.048 |
| 5 | Christopher Nguyen | Alemanha | US$ 696.221 |
| 6 | Alex Foxen | Estados Unidos | US$ 522.347 |
| 7 | Biao Ding | China | US$ 401.446 |
| 8 | Sam Soverel | Estados Unidos | US$ 316.234 |
| 9 | Martin Kabrhel | República Tcheca | US$ 255.491 |
A vitória lhe rendeu US$ 2.841.432 de um prize pool de US$ 11.040,000, e veio contra um field de 115 inscrições no segundo evento com maior buy-in da WSOP de 2026. Segundo o The Hendon Mob, o brasileiro chega a quase US$ 14,6 milhões em resultados live na caarreira.
O bracelete número seis colocou Dzivielevski na companhia de um grupo de elite. Ele agora compartilha o 18º lugar na lista de maiores vencedores de braceletes da WSOP com um grupo condecorado que inclui Jason Mercier, Jeremy Ausmus, Kristen Foxen, Brian Hastings, Chris Ferguson, Jeffrey Lisandro, Ted Forrest, T.J. Cloutier, Jay Heimowitz e o falecido Layne Flack.
No entanto, o dinheiro e o prestígio foram apenas parte da história. "Vim para a série sem a minha família", explicou Yuri. "Minha esposa está grávida. Todas essas coisas juntas me fizeram chorar e ficar muito, muito emocionado, mais do que o normal."
"Vim para a série sem a minha família. Minha esposa está grávida. Todas essas coisas juntas me fizeram chorar e ficar muito, muito emocionado, mais do que o normal"
O casal está esperando seu segundo filho homem para meados de julho, uma data que fará o craque deixar Las Vegas antes que a WSOP chegue ao fim.
"Terei que pular o Main Event, infelizmente, no final da série, mas é pelo melhor motivo", disse ele.
Para a maioria dos jogadores, um resultado como esse definiria uma carreira. Para Dzivielevski, foi simplesmente a conquista mais recente em uma fase incrível que já dura anos e se intensificou nos últimos meses.
Ele Não Para de Vencer
Em dezembro, Dzivielevski registrou o que era até então o melhor resultado de sua carreira, ao levar US$ 1.409.000 na WSOP Paradise, em um torneio marcado por um pódio inteiro brasileiro. Fevereiro trouxe outra premiação gigantesca quando ele dominou o PokerGO Tour Mixed Games, vencendo duas vezes e terminando como vice-campeão outras duas, incluindo uma vitória no US$ 100.000 Super High Roller Bowl: Mixed Games no valor de US$ 1,3 milhão. No entanto, de alguma forma, esta vitória superou todas as outras.
O profissional sequer entrou no US$ 100.000 High Roller até o último nível do registro tardio. Após um longo dia pulando de torneio em torneio, ele decidiu que não estava com a mentalidade certa para entrar no evento com buy-in de seis dígitos no Dia 1.
"Eu estava muito estressado, para ser sincero", disse ele. "Joguei dois torneios no mesmo dia e, quando caí do segundo torneio, não estava me sentindo bem. Minha cabeça não estava preparada para jogar o meu melhor."
Em vez disso, ele foi para casa, descansou um pouco e voltou no dia seguinte. "Deu certo", concluiu o jogador.
Ainda Afiado no Hold'em
Embora muitos associem Yuri aos mixed games pelos seus resultados nos últimos anos, ele insiste que o No-Limit Hold'em continua sendo uma grande parte de sua vida e que ele nunca esteve melhor nele, como demonstrado pelas seis eliminações que registrou na mesa final.
"As pessoas pensam que, porque estou jogando outros jogos, estou enferrujado no No-Limit Hold'em, mas é o oposto", disse ele. "Tenho uma escola de poker e um time de poker no Brasil chamado Reg Life, e preciso estar afiado para dar o meu melhor aos alunos."
A mesa final certamente ofereceu pouco espaço para erros. Mulder, Alex Kulev, Alexandros Theologis, Christopher Nguyen, Alex Foxen, Martin Kabrhel, Sam Soverel e Biao Ding todos tentaram buscar o título, mas Dzivielevski permaneceu como um dos jogadores mais sólidos o tempo todo.
Mesmo quando Kabrhel e Foxen passaram grande parte do nível de abertura trocando farpas, o brasileiro nunca se distraiu com as encenações.
"Eu basicamente não me importo", disse ele. "Eu apenas bloqueio isso e continuo fazendo o que tenho que fazer."
Essa mesma abordagem o carregou nos maiores momentos do torneio. Embora Mulder tenha apresentado uma das performances mais fortes em mesa final desta edição para chegar ao heads-up, Dzivielevski nunca pareceu abalado enquanto os dois batalhavam pelo bracelete, mesmo quando enfrentou uma desvantagem de 4:1 em fichas.
"Eu estava preparado. Eu estava calmo", disse ele. "Não fico apegado emocionalmente a essas coisas, e acho que isso me faz render melhor sob pressão."
Com seis braceletes em uma carreira que já o coloca como o maior da história do poker brasileiro, Yuri segue mostrando para o mundo que está entre as lendas do jogo e que não deve parar de empilhar grandes resultados tão cedo.



